<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-5002341</id><updated>2011-06-08T06:34:38.827Z</updated><title type='text'>3. (gaveta)</title><subtitle type='html'>génese do senso-comum</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://orpheu.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5002341/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://orpheu.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>sandra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11033114599948184805</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>1</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5002341.post-88818272</id><published>2003-02-09T23:24:00.000Z</published><updated>2003-02-09T23:24:49.783Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;i&gt;A Educação do Estóico&lt;/i&gt;, Barão de Teive&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a participação deste heterónimo na vasta obra de Fernando Pessoa é curta - mas provavelmente decisiva para avaliar o papel da heteronímia na expressão literária do poeta. &lt;br /&gt;o Sr. Álvaro Coelho de Athayde, 20º Barão de Teive e fidalgo aristocrata, escreve os seus primeiros textos a cerca de 1928. o seu único manuscrito, &lt;i&gt;A Educação do Estóico&lt;/i&gt;, (que inclui em apêndice os textos &lt;i&gt;O Duelo&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;Three Pessimists&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;Leopardi&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;No Jardim de Epicteto&lt;/i&gt;) surge como consequência de uma decisão para a morte, espécie de nota de suicídio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;estou liberto e decidido. matar-me: vou agora matar-me. [...]&lt;br /&gt;estas páginas não são a minha confissão senão a minha definição. sinto, ao começar a escrevê-la, que a poderei escrever com algum modo de verdade.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;logo ao início o Barão anuncia a sua morte, assim como identifica esta como a única razão da sua escrita. depois, durante talvez a maior parte da obra, surge a sua personalidade-paradoxo: um filósofo natural, mas insustentavelmente racional. e ao não conseguir viver racionalmente, apercebe-se de que o suicídio é a saída que lhe é imposta. &lt;br /&gt;então, escreve.&lt;br /&gt;antes que desapareça, escreve.&lt;br /&gt;devaneia de forma filosófica e quase abstracta sobre realidades concretas que nada têm a ver com ele; deixa até transparecer um certo Oscar Wilde na forma como encara o mundo e tudo aquilo que está já pressuposto. mas não abandona nunca a depressão, a fraqueza e a nostalgia das coisas que recorda antes de um último adeus. &lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;i&gt;tenho todas as condições para ser feliz, salvo a felicidade.&lt;/i&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;o barão sofre por uma impossibilidade de não sofrer, e o leitor sofre por sentir nas suas palavras que o único sentido da sua existência é essa morte adiada para a qual ele nasceu. &lt;br /&gt;o seu passado é levemente reconstruído, quer através de discurso directo, quer através de características atribuídas pelo próprio Pessoa: sabe-se que o Barão não tinha a perna esquerda e tinha já tido a oportunidade de casar; mas sente-se que todos esses pormenores são criados em função da sua morte, como um cenário que é erguido atrás de si quando surgem os seus &lt;i&gt;15 minutes of fame&lt;/i&gt;, o discurso estóico de quem decide morrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quando comecei a ler e até relativamente a meio, a sensação que tinha era a de uma certa incoerência; parecia-me um desabafo isolado do mundo pessoano que conheço, um desabafo demasiado direccionado - até porque a linguagem do Barão é incrivelmente sóbria e lúcida - mas à medida que chegava ao fim parecia-me cada vez mais um heterónimo criado para um momento e não para um carácter. até o subtítulo, &lt;i&gt;a impossibilidade de fazer arte superior&lt;/i&gt;, parece apontar para uma rendição a algo, em última análise: à vida.&lt;br /&gt;na edição da Assírio &amp; Alvim, Richard Zenith aponta para a frustração sexual como um dos principais motivos para o suicídio do Barão (e para a crítica acentuada a Leopardi, Vigny e Antero, «os três grandes poetas pessimistas»).  &lt;br /&gt;contudo, eu discordo profundamente dessa vertente explicativa. custa-me conceber que um homem que carrega o fardo de uma lucidez e racionalidade extremas possa atirar-se para o suicídio por uma razão sexual ou afectiva; afinal, essas coisas doem emocionalmente e não racionalmente. &lt;br /&gt;não vejo motivo óbvio para o suicídio do Barão. vejo sim, o suicídio como o motivo da sua (in)existência. criado para expurgar o sofrimento moral de Pessoa, o Barão de Teive vai morrer em nome do suicídio que Pessoa não pode cometer, vai ser a criação catártica que o permite manter-se a si - e aos afins - suficientemente sãos para sofrer sem morte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5002341-88818272?l=orpheu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5002341/posts/default/88818272'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5002341/posts/default/88818272'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://orpheu.blogspot.com/index.html#88818272' title=''/><author><name>sandra</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11033114599948184805</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry></feed>
